A definição
O Renascimento foi um
importante movimento de ordem artística, cultural e científica que se deflagrou
na passagem da Idade Média para a Moderna. Em um quadro de sensíveis
transformações que não mais correspondiam ao conjunto de valores apregoados
pelo pensamento medieval, o renascimento apresentou um novo conjunto de temas e
interesses aos meios científicos e culturais de sua época. Ao contrário do que
possa parecer, o renascimento não pode ser visto como uma radical ruptura com o
mundo medieval.
A razão, de acordo com o
pensamento da renascença, era uma manifestação do espírito humano que colocava
o indivíduo mais próximo de Deus. Ao exercer sua capacidade de questionar o
mundo, o homem simplesmente dava vazão a um dom concedido por Deus
(neoplatonismo). Outro aspecto fundamental das obras renascentistas era o
privilégio dado às ações humanas, ou humanismo. Tal característica
representava-se na reprodução de situações do cotidiano e na rigorosa reprodução
dos traços e formas humanas (naturalismo). Esse aspecto humanista inspirava-se
em outro ponto-chave do Renascimento: o elogio às concepções artísticas da
Antiguidade Clássica ou Classicismo.
Essa valorização das ações
humanas abriu um diálogo com a burguesia que floresceu desde a Baixa Idade
Média. Suas ações pelo mundo, a circulação por diferentes espaços e seu ímpeto
individualista ganharam atenção dos homens que viveram todo esse processo de
transformação privilegiado pelo Renascimento.
As artes Renascentistas
| O Nascimentode Vênus - Boticelli |
Nas artes o Renascimento se
caracterizou, em linhas muito gerais, pela inspiração nos antigos gregos e
romanos, e pela concepção de arte como uma imitação da natureza, tendo o homem
nesse panorama um lugar privilegiado. Mas mais do que uma imitação, a natureza
devia, a fim de ser bem representada, passar por uma tradução que a organizava
sob uma óptica racional e matemática, num período marcado por uma matematização
de todos os fenômenos naturais. Na pintura a maior conquista da busca por esse
"naturalismo organizado" foi a recuperação da perspectiva,
representando a paisagem, as arquiteturas e o ser humano através de relações
essencialmente geométricas e criando uma eficiente impressão de espaço
tridimensional; na música foi a consolidação do sistema tonal, possibilitando
uma ilustração mais convincente das emoções e do movimento; na arquitetura foi
a redução das construções para uma dimensão mais humana, abandonando-se as
alturas transcendentais das catedrais góticas; na literatura, a introdução de
um personagem que estruturava em torno de si a narrativa e mimetizava até onde
possível a noção de sujeito. Existem alguns exemplos de músicas do período
renascentista, entre elas o This is the Record of John de Orlando
Gibbons. Uma pintura do período renascentista é o Nascimento de Vénus, Sandro
Botticelli em 1485. Dentre as pinturas renascentistas, é muito conhecido a
escultora de Michelangelo de nome Baco.
As características
Antropocentrismo (o homem no centro): É a
valorização do homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era
visto como a mais bela e perfeita obra da natureza. Tem capacidade criadora e
pode explicar os fenômenos à sua volta.
Humanismo: Tem por base o neoplatonismo,
que exalta os valores humanos e tenta dar nova dimensão ao homem. O humanismo
se expande a partir de 1460, com a fundação de academias, bibliotecas e teatros
em Roma, Florença, Nápoles, Paris e Londres. O humanista era o indivíduo que
traduzia e estudava os textos antigos, principalmente gregos e romanos. Foi
dessa inspiração clássica que nasceu a valorização do ser humano. A escultura e
a pintura redescobrem o corpo humano.
Racionalismo: Implica na convicção de que
tudo pode ser explicado pela razão do homem, pela ciência, e na recusa em acreditar
em algo que não tenha sido provado. Através deste, tentava-se descobrir as leis
que governam o mundo pela observação e pela experiência, contrapondo-se o
conhecimento baseado na autoridade, na tradição e na inspiração de origem
divina, características da cultura medieval.
Experimentalismo: Para os
renascentistas, tudo poderia ser explicado pela razão e pela ciência e tudo
poderia ser provado por experiências científicas.
Individualismo: Não consistia no
isolamento do homem, mas refletia a possibilidade que cada um tinha de fazer
opções, de manifestar-se sob diversos assuntos, de ser responsável pela
condução da própria vida.
Hedonismo: É a valorização dos prazeres
sensoriais. Esta visão se opunha à idéia medieval de associar o pecado aos bens
e prazeres materiais. Surgido a partir do epicurismo (doutrina da antiguidade
grega que identifica o bem com o prazer), o hedonismo representa o prazer como
a finalidade da vida (“culto ao prazer”).
Inspiração na antiguidade
clássica: Os artistas renascentistas procuraram imitar a estética dos
antigos gregos e romanos. O próprio termo Renascimento foi cunhado pelos
contemporâneos do movimento, que pretendiam estar fazendo renascer aquela
cultura, desaparecida durante a “Idade das Trevas” (Idade Média).
Otimismo: Era caracterizado pela crença
dos renascentistas no progresso e na capacidade do homem de resolver problemas.
Assim, eles apreciavam a beleza do mundo, tentando captá-la em suas obras de
arte.
Repúdio ao medievalismo: O Renascimento é
marcado pelos avanços científicos, culturais, filosóficos e artísticos. Mas,
durante o feudalismo, o que ocorria era exatamente o contrario, esses “valores”
que tanto evoluíram durante o Renascimento, praticamente foram esquecidos pela
sociedade.
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